segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Vivência escolar: Na E. E. Dr. Manoel Dantas


Escola Estadual Dr. Manoel Dantas - janeiro de 1983


Vivência escolar (Claudianor D. Bento)

Fazia muitos anos que não era desafiado a  responder sobre o meu passado escolar e como já faz um certo tempo que passei por essa fase(ensino fundamental),décadas de 1970/80, ao ser indagado sobre o assunto(pelos professores da UFRN), doces e amargas lembranças me vieram de súbito, à memória.

Na primeira escola que estudei (E. E. Dr. Manoel Dantas, em Santo Antônio-RN) tentava-se, tardiamente, esboçar um modelo de Educação sob as perspectivas da tendência progressista libertadora. A ideia era recuperar o “tempo perdido” que há tempos estancava os caminhos para uma educação reflexiva, pois, a mesma, ficava a mercê de professores que se diziam donos do saber. Que saudade!

Todavia, contrariando os novos ventos que sopravam a caminho de uma melhoria na maneira de se transmitir conhecimento(educação recíproca professor/aluno), lembro-me de uma diretora que era de difícil convivência (estilo militar e arrogante) e que, ecoando os seus delírios autoritários, os professores da escola seguiam o mesmo caminho. Nada de aluno contestar, e se resolvesse faze-lo o fizesse com cautela, caso contrário a palmatória estalava feio entre os dedos da mão. Mãos grossas a dos alunos, devido ao árduo serviço diário.

Em pouco tempo comecei a perceber que para progredir naquele universo tinha que estudar mais e buscar conhecimentos além daquele espaço. Meu mundo, que poderia ser tão diferente!

Lembro-me bem de uma professora, Esther. Dona Esther, saudosa professora! Um certo dia, não sei quando nem como, ela de súbito entrou na sala e esbravejou o seguinte desafio: quem acertar o nome do atual presidente da república, nesse bimestre fica com dez e nem precisará fazer a prova bimestral. Todo mundo calado! E não é que lá de trás, Maria Júlia gritou: Figueiredo! “Dez para você Maria Júlia” disse a professora. E era nesse compasso que seguia a nossa educação. Depois de alguns anos descobrimos que a tal Maria Júlia era sobrinha da diretora.

Eram velhos livros jogados pelo chão, um bê-á-bá daqui, uma tabuada dali. E se errasse a lição? Tome-lhe a palmatória! A disciplina de Geografia era unida com a de História no que se chamava de Estudos Sociais. Se o aluno conseguisse decorar os nomes de algumas capitais  dos estados brasileiros, como também de alguns rios, bacias hidrográficas, formas de relevos, entre outras; com certeza tiraria uma boa nota na prova. Noções do que hoje é: espaço, território, lugar, paisagem eram repassadas de maneira muito diferente. Noções essas que serviam apenas para acomodar o modelo político vigente na época.

Nessa época, um aluno oriundo de escola pública ingressar numa universidade pública era um grande feito. Não existiam as "facilidades" de hoje. E nesse contexto fui inserido. Terminei o segundo grau (ensino médio da época) pobre, precisei trabalhar e hoje estou concluindo uma licenciatura (UFRN), sonho dos tempos de criança que vem lá dos tempos da E. E. Dr. Manoel Dantas, em Santo Antônio-RN.











Por: Claudianor D. Bento



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