quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Paulo Freire: As 40 horas de Angicos - RN

Parte 1

Parte 2

História

Freire aplicou publicamente seu método, pela primeira vez no Centro de Cultura Dona Olegarinha, um Círculo de Cultura do Movimento de Cultura Popular (Recife). Foi aplicado inicialmente a cinco alunos, dos quais três aprenderam a ler e escrever em 30 horas, outros dois desistiram antes de concluir. Baseado na experiência de Angicos, onde em 45 dias alfabetizaram-se 300 trabalhadores, João Goulart, presidente na época, chamou Paulo Freire para organizar uma Campanha Nacional de Alfabetização. Essa campanha tinha como objetivo alfabetizar 2 milhões de pessoas, em 20.000 círculos de cultura, e já contava com a participação da comunidade - só no estado da Guanabara (Rio de Janeiro) se inscreveram 6.000 pessoas. Mas com o Golpe de 64 toda essa mobilização social foi reprimida, Paulo Freire foi considerado subversivo, foi preso e depois exilado. Assim, esse projeto foi abortado. Em seu lugar surgiu o MOBRAL, uma iniciativa para a alfabetização porém distinta do método freiriano.

O Método Paulo Freire consiste numa proposta para a alfabetização de adultos desenvolvida pelo educador Paulo Freire, O método nasceu em 1962 quando Freire era diretor do Departamento de Extensões Culturais da Universidade do Recife onde formou um grupo para testar o método na cidade de Angicos, RN onde alfabetizou 300 cortadores de cana em apenas 45 dias, isso porque o processo se deu em apenas 40 (quarenta) horas de aula e sem cartilha1 . Freire criticava o sistema tradicional, o qual utilizava a cartilha como ferramenta central da didática para o ensino da leitura e da escrita. As cartilhas ensinavam pelo método da repetição de palavras soltas ou de frases criadas de forma forçosa, que comumente se denomina como linguagem de cartilha, por exemplo Eva viu a uva, o boi baba, a ave voa, dentre outros.

Etapas do método

Etapa de Investigação: busca conjunta entre professor e aluno das palavras e temas mais significativos da vida do aluno, dentro de seu universo vocabular e da comunidade onde ele vive.
Etapa de Tematização: momento da tomada de consciência do mundo, através da análise dos significados sociais dos temas e palavras.
Etapa de Problematização: etapa em que o professor desafia e inspira o aluno a superar a visão mágica e acrítica do mundo, para uma postura conscientizada.

As fases de aplicação do método

1ª fase: Levantamento do universo vocabular do grupo. Nessa fase ocorrem as interações de aproximação e conhecimento mútuo, bem como a anotação das palavras da linguagem dos membros do grupo, respeitando seu linguajar típico.
2ª fase: Escolha das palavras selecionadas, seguindo os critérios de riqueza fonética, dificuldades fonéticas - numa sequência gradativa das mais simples para as mais complexas, do comprometimento pragmático da palavra na realidade social, cultural, política do grupo e/ou sua comunidade.
3ª fase: Criação de situações existenciais características do grupo. Trata-se de situações inseridas na realidade local, que devem ser discutidas com o intuito de abrir perspectivas para a análise crítica consciente de problemas locais, regionais e nacionais.
4ª fase: Criação das fichas-roteiro que funcionam como roteiro para os debates, as quais deverão servir como subsídios, sem no entanto seguir uma prescrição rígida.
5ª fase: Criação de fichas de palavras para a decomposição das famílias fonéticas correspondentes às palavras geradoras.

Referências:

Letícia Rameh Barbosa. Movimento de Cultura Popular: impactos na sociedade pernambucana. Recife: edição da autora, 2009.

Educação Como Prática da Liberdade. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1967 (19 ed., 1989)

Livro: O que é método Paulo Freire. Autor: Carlos Rodrigues Brandão (editor). São Paulo, Brasiliense, 1981.


Wikipédia




segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Vivência escolar: Na E. E. Dr. Manoel Dantas


Escola Estadual Dr. Manoel Dantas - janeiro de 1983


Vivência escolar (Claudianor D. Bento)

Fazia muitos anos que não era desafiado a  responder sobre o meu passado escolar e como já faz um certo tempo que passei por essa fase(ensino fundamental),décadas de 1970/80, ao ser indagado sobre o assunto(pelos professores da UFRN), doces e amargas lembranças me vieram de súbito, à memória.

Na primeira escola que estudei (E. E. Dr. Manoel Dantas, em Santo Antônio-RN) tentava-se, tardiamente, esboçar um modelo de Educação sob as perspectivas da tendência progressista libertadora. A ideia era recuperar o “tempo perdido” que há tempos estancava os caminhos para uma educação reflexiva, pois, a mesma, ficava a mercê de professores que se diziam donos do saber. Que saudade!

Todavia, contrariando os novos ventos que sopravam a caminho de uma melhoria na maneira de se transmitir conhecimento(educação recíproca professor/aluno), lembro-me de uma diretora que era de difícil convivência (estilo militar e arrogante) e que, ecoando os seus delírios autoritários, os professores da escola seguiam o mesmo caminho. Nada de aluno contestar, e se resolvesse faze-lo o fizesse com cautela, caso contrário a palmatória estalava feio entre os dedos da mão. Mãos grossas a dos alunos, devido ao árduo serviço diário.

Em pouco tempo comecei a perceber que para progredir naquele universo tinha que estudar mais e buscar conhecimentos além daquele espaço. Meu mundo, que poderia ser tão diferente!

Lembro-me bem de uma professora, Esther. Dona Esther, saudosa professora! Um certo dia, não sei quando nem como, ela de súbito entrou na sala e esbravejou o seguinte desafio: quem acertar o nome do atual presidente da república, nesse bimestre fica com dez e nem precisará fazer a prova bimestral. Todo mundo calado! E não é que lá de trás, Maria Júlia gritou: Figueiredo! “Dez para você Maria Júlia” disse a professora. E era nesse compasso que seguia a nossa educação. Depois de alguns anos descobrimos que a tal Maria Júlia era sobrinha da diretora.

Eram velhos livros jogados pelo chão, um bê-á-bá daqui, uma tabuada dali. E se errasse a lição? Tome-lhe a palmatória! A disciplina de Geografia era unida com a de História no que se chamava de Estudos Sociais. Se o aluno conseguisse decorar os nomes de algumas capitais  dos estados brasileiros, como também de alguns rios, bacias hidrográficas, formas de relevos, entre outras; com certeza tiraria uma boa nota na prova. Noções do que hoje é: espaço, território, lugar, paisagem eram repassadas de maneira muito diferente. Noções essas que serviam apenas para acomodar o modelo político vigente na época.

Nessa época, um aluno oriundo de escola pública ingressar numa universidade pública era um grande feito. Não existiam as "facilidades" de hoje. E nesse contexto fui inserido. Terminei o segundo grau (ensino médio da época) pobre, precisei trabalhar e hoje estou concluindo uma licenciatura (UFRN), sonho dos tempos de criança que vem lá dos tempos da E. E. Dr. Manoel Dantas, em Santo Antônio-RN.











Por: Claudianor D. Bento